Em Busca do Tempo Perdido
Em busca do tempo perdido
O plano de contenção de despesas decretado pelo governador Simão Jatene ocupou a atenção da imprensa nos últimos dias: a medida é pertinente e a obediência com a qual for aplicada será o tom da recuperação relativa das contas.
Nas projeções das colunas contábeis, o prato das despesas repuxa o fiel da balança com tal violência para o seu sentido que a gravidade dos pagamentos aponta um déficit de aproximados R$ 80 milhões no mês de janeiro, o que projeta uma catástrofe se não se prevenir.
O trote desordenado que sacolejava a administração anterior, transformado em desembestada carreira com as esporas da disputa eleitoral, resfolegou o governo de tal forma que ou se puxa as rédeas com vigor, ou o alazão tem uma sincope.
A inércia da máquina administrativa tenderá a resistir. Alegações serão feitas de que os cortes comprometerão o passo. Tais referências não procedem, pois governos descuidados são repositórios do mais maldito colesterol do Estado: é possível administrar com custo menor, entregando melhores resultados.
É isto que busca o atual governo com as medidas. Alcançando isto, poderá alavancar o restabelecimento dos investimentos necessários, que vêm claudicando entre soluços pontuais e promessas que se entorpecem com o cotidiano.
O Pará não deve mais derrapar no desajuste. Ou esta geração de políticos, na qual estou contido, pelo menos equaciona este emaranhado de variáveis desconexas, e faz disto uma fórmula a ser descendida, ou teremos vergonhosamente falhado com o futuro que nos julgará.
O governo anterior teve todos os elementos para realizar isto e não o fez. O atual reúne melhores condições para a tarefa: deve dirigir com os dois olhos à frente, não descuidar da visão lateral, e jamais esquecer de dar frequentes soslaios no retrovisor.
Bravura indômita
Apreciei “Bravura indômita” há uns 20 anos: o clássico faroeste que deu a John Wayne , aos 63 anos, o único Oscar da sua carreira.
Os irmãos Ethan e Joel Cohen refilmaram o clássico, colocando Jeff Bridges no papel que coube a John Wayne.
No lugar da mocinha que se embrenha com o xerife pelos escarpados vales do velho oeste, à procura do assassino do pai dela, há uma novata, pelo menos para mim, chamada Hailee Steinfeld.
Ainda não vi, mas já dei nota 10. Primeiro porque não há como não fazer algo ótimo com “Bravura indômita”, depois, e principalmente, não há como os irmãos Cohen não fazerem algo ótimo.
Arte datilografada
Era uma vez, há muito tempo, máquinas de escrever eram usadas para datilografar textos.
O datilógrafo tinha que justificar os parágrafos e retornar as linhas manualmente!
Hoje, a minha Olivetti Lettera 82 é peça de estimação, junto com um telefone de baquelite preto, candeeiros, lamparinas, e outras antiguidades que espalho pela casa.
Em Londres, a inglesa Keira Rathbone, achou uma maneira inusitada de usar uma máquina de escrever e sobreviver nas calçadas da City: ela datilógrafa desenhos, na frente do freguês, e os vende por módicas libras esterlinas.
Abaixo o rosto de Nicole Kidman “batido” por Keira e aqui a página da artista.
Um “jovem vigiense”
Na postagem “Despesa impertinente” recebi o comentário abaixo de alguém que se identificou como “jovem vigiense”.
Achei-a extremamente bem humorada e resolvi postar. Parabéns aos “vigienses” pelo formidável “fair play”:
“Sou jovem vigiense, quero a divisão do Estado. Perguntei para minha professora na escola onde fica o município de Santana do Araguaia. Ela me respondeu que fica no Estado do Tocantins, mas se não me engano é no Estado do Mato Grosso.
Há mais de 40 anos a população de Colares pede a construção de uma ponte de 450 metros ligando o município de Colares à Vigia, mas a obra nunca sai porque não tem dinheiro. Hoje o Sul e Sudeste do Pará tem mais pontes que o Nordeste paraense.
Se depender da proposta do Zenaldo Coutinho a ponte de Colares poderá ser construída em 2050.
Aqui na Vigia vamos organizar a opinião pública para lutar pela divisão do Estado.
A proposito Deputado, esse município de Trairão, é porque existe muita traíra peixe, ou porque os maridos traem muito suas mulheres?
Ouvi falar também na localidade de Guarantã, é no Pará que fica essa cidade?”
Estacionamento a preço de ouro
Antes de ler a nota, recortada do “Repórter 70” , de “O Liberal”, edição de ontem, eu juraria que no edital de licitação do estacionamento, a Infraero teria tido o cuidado de instituir uma cláusula estabelecendo que as pessoas que trabalham no terminal do aeroporto, pagariam uma taxa fixa e diferenciada para estacionar os seus veículos.
Aos preços reportados, o custo mensal do trabalhador que precisa estacionar, chega à borda dos R$ 500,00, quando o bom senso apontaria para uma taxa máxima de R$ 60,00 ao mês, para a categoria.
A Infraero foi imprevidente e a Multipark, por usura, está perdendo renda, pois tem espaço suficiente para a específica concessão.
O fato, a versão e a repercussão
Jader Barbalho conta que o pai dele, Laercio Barbalho, contava um caso peculiar para ilustrar a leitura que certos fatos passam a ter, pelas versões que sobre eles circulam:
“Um rapaz encontrou, sobre a pia de um banheiro público, um relógio de ouro. Rumou até a delegacia mais próxima e entregou o relógio ao delegado, que tomou por termo as circunstâncias em que o recebeu.
Um repórter policial, sensibilizado com a cena, reportou a matéria no jornal do dia seguinte, onde postou a fotografia tomada na véspera, com um texto narrando o inusitado fato de um rapaz honesto que havia devolvido um relógio de ouro que encontrara.
Dois meses depois, o rapaz apresentou o seu currículo em uma empresa que anunciava necessidade de pessoal. O analista de currículos achou-o preparado e levou a pasta ao gerente.
O gerente abriu o currículo, olhou a foto do rapaz por uns segundos e disparou: de fato é um ótimo currículo, mas, uns dias atrás, eu li no jornal que este rapaz roubou um relógio de ouro e foi preso em flagrante. Lembro porque havia uma foto enorme dele na delegacia, devolvendo o relógio.
O currículo foi para o lixo.”
O relato é para dizer que um quê de qualquer coisa me faz ensimesmar que o governo do Pará não está, neste início de gestão, se comunicando com o público, à altura do que podem, e são capazes de fazer, os seus assessores da área.
O ponto é o seguinte: como contornar a leitura feita pelo gerente, quando o currículo for entregue?
Mulher-Gato
Anne Hathaway, a dona dos mais belos olhos de Hollywood, será a Mulher-Gato do próximo filme de Batman.
A notícia está no “Hollywood Reporter”, que também conta que Miss Hathaway bateu outras duas divas que disputavam o papel: Jessica Biel e Keira Knightley.
A minha Mulher-Gato preferida foi Michelle Pfeiffer: um charme naquela roupa de couro.
Já estou ansioso pela estreia.
Embora eu deteste o tipo que vai para o cinema almoçar, ou jantar aqueles sacos enormes de pipoca com Coca-Cola de dois litros, e fazer aqueles barulhos irritantes com sacos plásticos contendo toda espécie de guloseimas (alguns levam sanduíches e milk shakes escondidos), para mim, cinema só tem graça na telona.
Concurso público na ALEPA
Reporta a imprensa que a Associação dos Concursados do Pará prepara uma manifestação na Assembleia Legislativa do Pará, em 1º de fevereiro, dia da posse dos deputados estaduais, para reivindicar do presidente a ser eleito neste dia, que faça realizar concurso público para preenchimento dos cargos efetivos do Poder Legislativo.
É fato que já passa da hora de a ALEPA realizar concurso público, preenchendo, através deste instituto, todos os cargos efetivos da Casa.
Suscetibilidades serão sentidas, mas, cada vez mais se torna menos possível não conviver com o princípio da legalidade.
Encontro de gigantes
Ontem se encontram, em Washington, os ordenadores das duas primeiras potenciais econômicas da Terra: o presidente Barack Obama, dos EUA, recebeu Hu Jintao, da China.
O PIB dos dois países juntos, EUA US$ 15 trilhões, e China US$ 6,5 trilhões, é igual à soma das 12 maiores economias do mundo depois deles.
As peculiaridades que interligam a China aos EUA, os torna de economia extremamente dependente um do outro e os dois influenciam de maneira decisiva a teia financeira do mundo capitalista. Sim, não se enganem: a China é um país capitalista.
Os dois governos tentam aproximar convergências comerciais, mas, tropeçam nas divergências ideológicas, principalmente no que tange aos direitos humanos.
Na Casa Branca, o pronunciamento de Obama coçou o flanco de Hu, quando o parágrafo foi direitos humanos. Na sua vez, Hu replicou, sem coçar a garganta, que reconhece os pontos de vistas diferentes entre os países, mas mantem o “discurso usual de que outros países não deveriam interferir nos assuntos domésticos da China.”.
Cumprido este protocolo para os democratas verem, Obama partiu para o que interessa: que a China continue escravizando a mão de obra nos arrozais, mas, faz-se urgente resolver a questão da desvalorização artificial do yuan, a moeda chinesa, e realinhar o prato da balança comercial entre os dois.
Os EUA importam US$ 344,1 bilhões da China, e os chineses só compram dos EUA US$ 81,8 bilhões. Assim só o dragão bufa e Tio Sam não dança.
Hu Jintao disse que vai estudar...
Zenaldo Coutinho esclarece
O chefe da Casa Civil do governo do Estado, deputado federal Zenaldo Coutinho, em linha direta, esclarece que o valor de R$ 1 milhão destinado ao Ipea, para estudos referentes à divisão do Estado, não serão à conta do governo do Pará e sim de emenda de sua autoria, escrita, no ano de 2010, no Orçamento Geral da União para 2011.
Meu caro amigo Zenaldo, não daria para remanejar?
De quem é o dinheiro?
A imprensa reporta que a Justiça suíça declarou, esta semana, que mantem em confisco a quantia de US$ 13 milhões em nome de Paulo Maluf.
Vários bancos europeus já haviam antes declarado confisco de U$ 35 milhões em contas de Paulo Maluf, na França, em Jersey e Luxemburgo.
O total dos valores bloqueados soma US$ 48 milhões, o equivalente a R$ 82 milhões.
Paulo Maluf, no entanto, continua alegando, de pés juntos, que não tem um tostão depositado em bancos fora do Brasil e, caso tenha ela a verdade ao seu lado, este dinheiro está sem dono.
Façamos o seguinte, entremos em fila para reivindicar a propriedade dos dinares. Vai dar trabalho explicar a origem, mas, pensem bem: são R$ 82 milhões, afinal.
Pobre Pedro
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) faz aquele papel de “franciscano”, mas, não rasga as vestes como fez o santo: prefere ser “pobre” de terno, gravata e aposentaria de ex-governador, para complementar o “pobre” salário de senador.
Ao ser perguntado o porquê ele resolveu pedir a aposentadoria de ex-governador, no valor de R$ 24,1 mil, em novembro passado, Simon respondeu que o fez porque o salário de senador, de R$ 16 mil, não mais estava sendo suficiente para o seu “pobre” sustento e o da sua “pobre” família.
Mas, fez questão de ressaltar que, apesar de ter pedido o beneficio e recebe-lo todo mês, ele é absolutamente contra a prerrogativa e só a percebe por necessidade.
É fato que a soma das duas remunerações, R$ 40,1 mil, deve proporcionar a Pedro Simon, uma vida extremamente “franciscana”.
Eu admiro o senador Simon pelas suas posições politicas e postura firme, mas, este negócio de vida franciscana é uma invenção algo paranóica da sua personalidade.
Inobstante, a esquizofrenia não lhe tira o mérito de ser um dos melhores políticos do Brasil.